A tecnologia, além de ferramenta, tornou-se um conhecimento necessário

Foto: Eduardo Uzal.

31 de março de 2019

Especialistas e estudantes foram reunidos pela plataforma Educação 360, iniciativa dos jornais O Globo e Extra que há seis anos vem abrindo espaço para debater a educação no Brasil. No dia 15 de março, aconteceu a edição “Jovem Tech”, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro. Esse foi o primeiro de uma série de eventos previstos para este ano de 2019, cuja pauta inclui a tecnologia no aprendizado, a educação infantil e o papel do jovem na sociedade. Além de educadores, foram convidados estudantes do ensino médio, uma estratégia que visou valorizar a participação dos jovens no debate público sobre o futuro da educação.

Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do CIEB, participou de uma mesa redonda ao lado de Lee Magpili, designer da Lego Education, além de um grupo de jovens convidados. Ao falar sobre o potencial da tecnologia, Lúcia ressaltou que, em todo o mundo, a tecnologia é vista como uma grande promessa, capaz de ajudar a obter equidade e melhorar a qualidade no ensino. No entanto, a grande maioria das pessoas não tem clareza sobre como inserir a tecnologia em sala de aula, sobre o que ensinar e como ensinar.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) avançou, disse ela, estabelecendo, por exemplo, a competência número 5, que prevê trabalhar o tema em pelo menos três níveis diferentes: compreender, utilizar e criar tecnologias de forma crítica, reflexiva, significativa e ética. “A grande chave, sem dúvida, é a competência de criação de tecnologia, pois não é suficiente apenas compreender e utilizar os recursos tecnológicos”, reforçou Lúcia. “Os jovens são nativos digitais. Sabem utilizar tecnologia, mas não necessariamente entendem o que a tecnologia faz e quais as implicações para suas vidas pessoais e para a vida coletiva”, acrescentou.

Muitos países estão incluindo a programação como uma das linguagens necessárias, contou a diretora do CIEB. “Este é um novo tipo de letramento, para que as pessoas deixem de ser consumidoras passivas de tecnologia”, alertou. A especialista lembrou que a Finlândia recentemente lançou uma política pública para que, até 2020, pelo menos 1% da população faça um curso sobre inteligência artificial. O governo finlandês entende que, sem esses conhecimentos básicos, não é possível se exercer a cidadania em um país desenvolvido. Como contribuição para desenvolver o conhecimento em tecnologia nas escolas, o CIEB desenvolveu e disponibiliza, gratuitamente, on-line, o Currículo de Referência em Tecnologia e Computação e o Itinerário Formativo em Cultura Digital.

Foto: Eduardo Uzal.