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TICs e transtornos do neurodesenvolvimento

Tecnologias educacionais para letramento e alfabetização de alunos com transtornos do neurodesenvolvimento

Universo Analisado
17
artigos acadêmicos
Publicados de
2008
a
2019
Principal Pergunta de Pesquisa

Quais os resultados verificados na aplicação de tecnologias educacionais para o letramento e alfabetização de alunos com Transtorno do Neurodesenvolvimento, incluindo Deficiência Intelectual (DI), Transtornos da Comunicação, o Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção, o Transtorno Específico da Aprendizagem, os Transtornos Motores, Transtornos de Tique e outros.

Principal Achado
Outros Achados

Dentre os transtornos do neurodesenvolvimento, quais foram as populações mais estudadas?

A população mais investigada nos estudos reunidos foram os alunos com TEA, com cinco estudos (29%). Sendo que havia outros dois dos estudos que realizaram intervenção em populações que incluíam alunos com TEA e alunos DI indistintamente (12%). Três estudos trabalhavam com alunos com DI (18%). A dislexia também recebeu atenção dos pesquisadores, com quatro estudos dedicados a essa população (23%) Um estudo dedicou-se à indivíduos com TDAH (6%), um para alunos com "dificuldades de aprendizagem" sem outra especificação (6%) e o último, para alunos com gagueira (6%).

Que tipo de tecnologia educacional foi utilizada nos estudos investigados?

Seis estudos apresentaram softwares construídos com objetivo específico de ensinar habilidades relacionadas à leitura e escrita: Aprendendo a Ler e Escrever em Pequenos Passos (ALEPP); Alfabetização Fônica Computadorizada; Play on - Jeu d ́entraînement à la lecture – adaptado.

Quatro estudos trabalharam com softwares para comunicação de crianças com autismo ou deficiência intelectual. Nesse caso, os softwares facilitavam a utilização de figuras para comunicação e aprendizagem: ConFiM; Intellytools, Escrevendo com Símbolos, Boardmaker with Speaking Dinamically Pro; Sistema de Comunicação Alternativa para Letramento de Pessoas com Autismo – SCALA; Autodesk 3DS Max®; Color Monster, TP-Shapes, ABC Palavras, 123 Color, Aiello.

Dois estudos apresentaram softwares específicos para gerenciar o processo de avaliação de alunos para identificação de Dislexia: DysDTool+L com uma funcionalidade extra e o protótipo de um aplicativo que usa reconhecimento de voz para fazer diagnóstico;

Dois estudos apresentavam plataformas que gerenciavam diferentes atividades, não apenas relacionadas ao letramento: Can Game e GCOMPRIS4.

Um estudo utilizou um software específico para trabalhar a gagueira: Fono Tools.

Que tipo de meio foi utilizada para a aplicação de softwares ou aplicativos?

Nove estudos usaram apenas computadores. Em todos os casos, o estudante usava o computador individualmente e um tutor (professor ou outro profissional) acompanhava as sessões. O software utilizado em um dos estudos envolvendo alunos com TEA pode ser aplicado em computadores ou tablets. A proposta de outro estudo com esse mesmo público envolve computador, tablet e celular. Dois estudos usaram apenas tablets e um usou apenas celulares.

Em um dos estudos, envolvendo alunos com deficiência intelectual, foram usados teclados com colmeia e impressoras para fazer fichas de comunicação.

O estudo com alunos com gagueira usou uma câmera filmadora para oferecer feedback na fala do participante com gagueira.

Como os estudos avaliavam as tecnologias aplicadas?

No grupo, houve quatro estudos experimentais que utilizaram comparação entre grupos, portanto, apresentavam um bom nível de evidência. Destes, dois envolviam alunos com dislexia (avaliando os softwares Play on - Jeu d ́entraînement à la lecture – adaptado e Alfabetização Fônica Computadorizada), um trabalhou com alunos com DI (Aprendendo a Ler e Escrever em Pequenos Passos – ALEPP) e outro com indivíduos com TDAH (software Working Memory Program – WMP e Trabalhando com Habilidades de Organização de Textos Harmônicos – THOTH).

Dois estudos eram experimentais com delineamento de sujeito como seu próprio controle e que, portanto, estabelecem uma forte relação entre a intervenção e seus resultados. Ambos utilizaram o software Aprendendo a Ler e Escrever em Pequenos Passos (ALEPP). Em um deles, os participantes eram três alunos diagnosticados com TEA e, no outro, um aluno com dificuldades de aprendizagem não específicas.

Três estudos experimentais utilizaram comparação de teste inicial e final. Os resultados são promissores, entretanto, como não há grupo controle ou um delineamento próprio para isolar variáveis, é possível que a melhora verificada não se deva apenas à intervenção. O software Alfabetização Fônica Computadorizada foi utilizado com alunos com DI. O software DysDTool+L foi utilizado para diagnóstico de dislexia. E o software FonoTools foi utilizado para escolares com gagueira.

Um estudo avaliou se um protótipo de reconhecimento de voz seria capaz de diferenciar entre resultados de alunos com e sem dislexia. Os resultados foram promissores, mas o estudo contou com poucos estudantes.

Seis estudos apresentavam relatos de observações realizadas durante a aplicação das tecnologias educacionais. Os softwares analisados desse modo foram: ConFiM, Can Game, Color Monster; TP-Shapes; ABC Palavras; 123 Color; Aiello, Scala, Autodesk 3DS Max® e GCOMPRIS4.

Um estudo realizou um relato de uma experiência de um projeto de intervenção voltado ao uso de comunicação alternativa com alunos com deficiência intelectual. Os softwares utilizados foram: Intellytools, Escrevendo com Símbolos, Boardmaker with Speaking Dinamically Pro

Quais seriam os custos para aplicação desses recursos?

Os estudos não informavam custos dos softwares utilizados. Alguns relatavam a utilização de materiais, como computadores e tablets, mas, mesmo nesses casos, não havia detalhamento de quantos equipamentos são necessários para atender determinado número de alunos.
Produção de conhecimento sobre o tema

O uso de softwares pode auxiliar no processo de letramento para alunos com Transtornos do Neurodesenvolvimento, uma vez que estes (1) auxiliam na avaliação dos casos; (2) oferecem atividades organizadas de modo sistemático; (3) permitem um percurso relativamente individualizado para cada aluno; (4) representam formas alternativas de comunicação, especialmente pela utilização de figuras e outros sinais gráficos.

Importante observar, entretanto, que sua aplicação requer infraestrutura no contexto escolar e, também, treinamento dos profissionais. Em alguns dos estudos, os softwares realizavam tarefas simples, como seleção e impressão de figuras para pranchas de comunicação; o trabalho do professor ao utilizar essa funcionalidade é que gerava o resultado pedagógico.

Desafios Encontrados
Palavras-chaves
Letramento Tecnologia Educacional transtorno do neurodesenvolvimento
Autores
  • Giovanna Rodrigues Rebouças Martins
  • Henrique Gabriel Alves Vieira Anacleto Pinheiro
  • Julia Zanetti Rocca
  • Lissa Carvalho de Souza
  • Ricardo Fernandes Campos Junior

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