Onde estão e o que fazem as edtechs no Brasil

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3 de setembro de 2018

Realizado em parceria entre o CIEB e a Associação Brasileira de Startups do Brasil (Abstartup), o Mapeamento Edtech 2018 – Investigação sobre as tecnologias educacionais no Brasil é uma publicação inédita, do ponto de vista de abrangência e análise do mercado de empresas com foco em tecnologia educacional. O estudo, realizado entre janeiro e março deste ano, abrangeu 364 empresas, das quais 61% são negócios na área de produção de conteúdo, e 19% na área de coleta de dados e processos. Apesar de a maior concentração estar em São Paulo, foram encontradas edtechs em 25 dos 26 estados brasileiros, sendo que 19 estados têm, ao menos, três startups educacionais.

Analistas responsáveis pelo mapeamento apontam que o mercado brasileiro de edtechs está em um momento de evidência devido à combinação de seu potencial de impacto social com o potencial de um grande mercado em expansão. Porém, destaca Mairum Andrade, gerente de tecnologias educacionais do CIEB, ainda existem muitos desafios a serem superados: “O primeiro é que se trata de um mercado em que mais de 80% das escolas de ensino básico são públicas, e a aquisição ou a contratação de tecnologia pelas redes públicas de ensino ainda é muito baixa, pouco estruturada e muito burocratizada. O segundo motivo é a mudança de cultura dos educadores, pois a inserção da tecnologia na educação requer novas formas de ensino. Os educadores precisam estar confortáveis com isso, as empresas precisam apoiar todo o processo dessa mudança, desde os gestores até os professores”.

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Comparado com outros países, o Brasil está em um cenário inicial, em que as edtechs ainda estão concentradas em alguns nichos de mercado, com baixa diversidade nas soluções, principalmente porque esse é um mercado, em geral, bastante fragmentado. Andrade acrescenta: “Além disso, os investimentos são baixos, devido aos próprios desafios desse mercado, e também ao ciclo de desenvolvimento do mercado, que é mais longo – os ciclos de implantação e avaliação do mercado educacional geralmente estão associados ao ciclo educacional, que é anual”.

O Ministério da Educação (MEC) lançou, no final de 2017, o Programa de Inovação Educação Conectada, que tem por objetivo acelerar o uso pedagógico da tecnologia nas escolas públicas brasileiras. Associadas a esse programa, diversas ações do governo devem propiciar a aquisição de tecnologia pelas redes públicas, levando a uma melhoria no cenário das edtechs brasileiras. “Também é importante que os investidores nacionais entendam esse ciclo diferenciado do mercado, tenham mais confiança e participem mais ativamente do mercado”, diz Andrade. (Para mais informações sobre o ciclo do mercado, veja a nota técnica do CIEB #7 ).

O Mapeamento de edtechs revelou que as iniciativas estão bem concentradas no ensino básico (48%), com foco na produção e na distribuição de conteúdo. Na maioria, são iniciativas de venda direta ao usuário final (aluno ou professor), como plataformas de videoaulas ou cursos. Quando são para escola, estão associadas a processos de gestão escolar.

Confira a íntegra do Mapeamento Edtech 2018:   Mapeamento de Edtechs-FINAL