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Plataforma combina atividades digitais com livros para engajar alunos

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Por Anna Luiza Guimarães

Do Porvir
21/7/2017

Na busca pela inovação, muitas escolas substituem cadernos por tablets, brincadeiras em sala por games digitais e rodas de conversas por chats online. Mas para Rafael Parente, criador do Conecturma, que combina uma plataforma digital com animações, games e música e livros didáticos, fantoches e jogos em sala, o caminho para a inovação com resultados é a educação híbrida.

“Acreditamos que as novas tecnologias devem complementar e potencializar outras tecnologias já utilizadas e que o contato presencial entre professores e alunos é um componente essencial para a motivação desses dois atores, que, por sua vez, é essencial para um processo de ensino-aprendizagem de qualidade. Em nossa visão, nada nunca poderá substituir o poder e a importância de um relacionamento de afeto entre o professor e seus alunos”.

Feita para crianças do ensino fundamental I, o objetivo da plataforma, que trabalha língua portuguesa, matemática e competências socioemocionais, é aumentar a motivação, interesse e concentração dos alunos no aprendizado.

“Tive uma experiência no Rio de Janeiro como subsecretário de educação do município que me mostrou uma necessidade para além da formação de professores: é preciso ter um material didático atrativo e gostoso de trabalhar”, lembra o educador.

Em Viamão (RS), onde as escolas municipais usam a metodologia há três anos, o aumento da aprendizagem foi de 50% em língua portuguesa e 60% em matemática, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Educação.

A professora de 1º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora Aparecida, em Viamão, Josilaine Castro, conta um pouco sobre sua experiência.

“Quando você apresenta o Conecturma para as crianças é como uma mágica. Eles se encantam e aprendem fácil. É impressionante como o interesse dos alunos aumentou nesses anos”, garante ela, que acredita que o material valoriza e ajuda o professor. “É um grande incentivo para nós, professores, que vemos nossos alunos felizes em aprender”.

Josilaine conta ainda que, apesar ser focado em língua portuguesa, matemática e competências socioemocionais, ela consegue extrair material para usar em outras disciplinas.

Foram intensas as pesquisas sobre materiais e metodologias usadas em sala de aula em países como Austrália, Finlândia, Canadá, entre outros, para chegar a um modelo. O Conecturma acredita em um aprendizado personalizado, que respeite a singularidade de cada aluno, seu conhecimento prévio e interesses.

“Os professores têm acesso a um relatório do que a criança conseguiu ou não fazer, possibilitando esses educadores mapearem as fraquezas de cada um, o que ajuda a personalizar o processo de aprendizagem”, explica Rafael.

A dinâmica em sala de aula

As aulas com o Conecturma começam com uma animação cheia de aventura, sempre com os personagens Fred, Poli, Juninho, Bumba e Kim vivendo uma história diferente com novos convidados. Em seguida, os alunos podem brincar e aprender com os jogos relacionados ao desenho.

O professor pode dividir a sala em duplas ou times para a realização desses jogos, incentivando o trabalho coletivo. A cada acerto, um nível é superado e um cristal é ganho. A cada erro, o sistema pode dar dicas para fazer o aluno refletir e tentar novamente.

As atividades digitais são intercaladas com os exercícios no livro didático, que são divididos em dez desafios, além das brincadeiras em sala. Esse programa quem monta é o professor.

“Os professores são nossos grandes parceiros e nos ajudam muito a melhorar a plataforma com sugestões”, conta.

Apesar disso, um dos maiores desafios encontrados pela equipe do Conecturma é a organização de encontros com os professores para conseguir esse retorno.

“Ainda é difícil dentro das instituições de ensino encontrar tempo para reunir os professores e fazer uma conversa de formação e sugestões para melhor uso da plataforma ”, conta Rafael.

Alunos fazem auto avaliação

No livro didático do Conecturma, sempre ao fim dos exercícios realizados, encarados como desafios vencidos, os alunos respondem a algumas questões de avaliação de seu próprio desempenho.

“É muito importante ensinar as crianças a pensarem sobre suas dificuldades e ajudar a elas mesmas criarem estratégias para superá-las”, avalia Rafael.

Para utilizar a plataforma é necessário ter um kit com computador, caixa de som e projetor. Além disso, todo o material pode ser acessado sem o uso da internet.

Hoje, a plataforma é usada por cinco mil crianças em 38 escolas, sendo nove particulares e 29 públicas, em quatro estados brasileiros (RS, MS, RN, SP e RJ). O objetivo é alcançar 190 mil crianças até 2020.

O Conecturma é uma criação da start-up Aondê, que atua nas áreas de educação e tecnologia.

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